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Há alguns dias escrevi um post a partir das leituras sobre a obra da Raquel Recuero e sua abordagem sobre as redes sociais que se originam dos blogs, tanto na forma de comentários quanto nas indicações de links, e sua relação com laços fortes e laços fracos (Leia aqui Blogs como redes sociais) .
Hoje, reproduzo um post do blog da Suzana Gutierrez, cuja ligação com estes escritos já é fruto de uma conexão social nos moldes daquelas descritas por Recuero e pela própria Suzana. Explicando: tomei contato com as pesquisas e escritos dela a partir das leituras do Social Media, blog da Raquel Recuero.
Ao mesmo tempo, já incluí o blog gutierrez/su nas minhas recomendações e me comprometo a atualizar esta lista, fazendo justiça a todos aqueles que leio/consulto/recomendo.
links como relações sociais
Um link é uma passagem para uma outra dimensão do texto, do contexto, da opinião, da relação. Pode ser uma mão estendida e pode ser um dedo acusador. Pode ser uma referência, também, uma lembrança de caminhos onde a relação permanece como possibilidade.
Na minha pesquisa os links são importantes e reveladores, pois marcam, descrevem sem fixar o fluxo das relações. As ligações das listas de links (blogroll) apresentadas nos blogues são recomendações e marcas de identidade. Eu gosto, eu leio, eu recomendo, eu estou ligado(a) à… Acompanhados do feed, avalizam e reforçam a recomendação: eu leio e publico, assino embaixo.
Os links no meio do texto propõem diálogo, concordam, discordam, indicam, esclarecem, ampliam o alcance do texto (hipertexto). Abrem a possibilidade para novos sujeitos no diálogo. Pelos motores de busca e pelos trackbacks e outros suportes de retorno, praticamente arrastam leitores e outros textos para o texto. São parte da formação da rede, uma parte que dá contornos a rede, um aparente formato, que, analisado em profundidade, revela muito sobre a rede.
Links indiretos por meio de trackbacks (ligação de retorno e referência), de acessos via buscadores, de comentários são outras possibilidades de ligação. Os comentários, além de trazerem liks, são, eles mesmos, links gerados pelo leitor que intervém no texto concordando, discordando, esclarecendo, propondo, também.
Analisar as relações sociais entre pessoas, por meio dos seus blogues e considerando o fluxo das ligações, mostra, por exemplo, que a rede formada pela ‘lista de links’ não repete a rede de conversação pelos links de texto ou pelos comentários. Neste sentido, os diversos momentos destas redes podem auxiliar a compreender a dinâmica destas relações e as suas possibilidades para os sujeitos envolvidos. Podem, também, alavancar estudos\propostas que visem facilitar, otimizar, promover a formação de algumas redes.
((apenas pensando alto, sem esquecer que todos estes suportes tecnologicos são históricos e configurados pelo contexto de sua época))
A Redknee Inc é uma empresa canadiana que, desde 1999, concebe produtos e soluções inovadoras a partir dos seus escritórios espalhados por nove cidades em vários pontos do globo. Os seus clientes são, essencialmente, empresas de telecomunicação a quem oferecem soluções em tempo real, end-to-end, capazes de cobrir todo o percurso percorrido pelos subscritores.A empresa conta actualmente com cerca de 400 colaboradores no total. Desde há dois anos que alguns deles começaram a utilizar blogs internamente. Estes blogs, que qualquer colaborador pode criar, fazem parte da intranet da empresa assente na plataforma Sharepoint.São os colaboradores mais jovens que mais usam activamente os blogs internos. Apesar disso, reconhecendo a importância deste canal, e a fim de incentivar a sua utilização, o CEO tem dado o exemplo. Ele escreve frequentemente sobre a indústria onde a Redknee opera, sobre os seus produtos, sobre os seus clientes e sobre ele próprio.Desde que foram criados, os blogs têm vindo a registar um crescimento contínuo do número de novos posts. No entanto, o mesmo não acontece com o número de comentários. De acordo com Leena Motwani, consultora na RedKnee Inc. com quem falámos para recolha de informação, o grande desafio com que a empresa se depara é a falta de tempo para comentar posts publicados e para ler os comentários de outros colegas.Ainda assim, a experiência tem sido positiva. Um dos melhores momentos na vida dos blogs organizacionais foi iniciado por um post do CEO. Estavam no final de 2008 e ele resolveu escrever sobre os sucessos e principais feitos da empresa nesse ano. Resolveu também pedir aos colaboradores para comentarem, acrescentando outros feitos que, no entender deles, também merecessem destaque. A lista foi crescendo e tornou-se numa celebração virtual do sucesso da empresa.Para além dos blogs, a Redknee está também a utilizar wikis para partilha de conhecimento.Com base na sua experiência a empresa recomenda a quem se estiver a aventurar nestas áreas para: “vender” a ideia internamente organizar sessões de esclarecimento sobre as ferramentas / tecnologias a utilizar elaborar princípios orientadores sobre a escrita de blogs.
A participação dos seus colaboradores em redes sociais é vista como um grande risco tanto por organizações públicas como por empresas privadas. Os três riscos geralmente identificados, também aplicados à utilização de ferramentas sociais (e.g. wikis, blogs, chats) no seio da própria organização entre colegas, são:
1. o tempo desperdiçado nessa actividade em horário de trabalho
2. a transmissão, mesmo que involuntária, de informação privada e confidencial da organização
3. danos à imagem da organização devido ao comportamento dos seus colaboradores nessas plataformas públicas.
O primeiro risco é algo que as organizações podem eliminar através da proibição do uso de ferramentas sociais em sites públicos e da não criação / instalação dessas ferramentas dentro da rede informática da organização. Infelizmente, ao eliminar esse risco, estão também a eliminar a possibilidade de beneficiarem de tudo o que de bom a participação nessas redes e a utilização dessas ferramentas pode trazer (ver aqui, aqui e aqui).
O segundo e terceiro riscos, infelizmente, não podem ser eliminados pois as organizações não podem proibir os seus colaboradores de utilizarem as ferramentas no seu tempo livre.
Assim, e ao invés de tentarem eliminar o risco, seria mais inteligente as organizações pensarem na melhor forma de gerir esse risco. E isso inclui encontrar formas de o minimizar.
Uma forma de o fazer é através da criação de guidelines – princípios orientadores e não regras – para utilização dessas ferramentas dentro e fora da organização.
Os princípios orientadores não variam muito de organização para organização. No entanto, a linguagem usada e a ênfase dada a determinados pontos dependerá de acordo com o tipo de organização e de se se tratarem de princípios orientadores para ferramentas específicas ou genéricas, e de ferramentas internas ou públicas.
Assim, e também por uma questão de buy-in dos colaboradores, concordo inteiramente com Patricia Yoshioka da Daiichi Sankyo Brasil que, num comentário no fórum da SBGC defende o envolvimento dos colaboradores na definição e redacção desses princípios orientadores.
Mas porque é sempre bom olhar para o que outros já fizeram e obter alguma inspiração, fica aqui uma pequena lista de princípios orientadores produzidos por alguns sites e organizações.
IBM Social Computing Guidelines
Sun Microsystems Communities: Sun Guidelines on Public Discourse
Wiki guidelines da Libsuccess
Microsoft Office Live Small Business Community: Code of Conduct
Sony Ericsson Developer World
No caso destas últimas, e para o caso de não quererem ouvir o vídeo na íntegra, aqui ficam por escrito:
1. Respeite a opinião dos outros
2. Seja responsável
3. Respeite o tópico
4. Use senso comum
5. Escreva em inglês
