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Reproduzo aqui um post de Mariana Oliveira no Dossiê Alex Primo.

Você já está conectado à Escola de Redes?

Quatro mil pessoas conectadas, interessadas em investigar, estudar e experimentar as redes sociais, compartilhando conhecimento e técnicas de netweaving (articulação e animação de redes sociais). Esse é o propósito da Escola de Redes, ambiente online criado na plataforma Ning e que tem como criador e responsável Augusto de Franco, professor, autor de mais de 20 livros e um dos palestrantes no TEDxSP. A partir do slogan “a escola é a rede” (E=R), a Escola de Redes traz uma posição interessante sobre a discussão acerca das redes sociais:

A rede social não é uma invenção contemporânea. (…) Seres humanos que se conectam entre si formam redes. O “social” é isso. Ponto. Nos últimos anos, fala-se muito de redes digitais. E fica-se com a impressão de que são as novas tecnologias de informação e comunicação que representam toda essa novidade organizativa. (Uma introdução às Redes Sociais, Augusto de Franco, 2008).

Concordo. Ainda que nossa vida esteja cada vez mais permeada por tecnologia, percebe-se que a maior parte das discussões atuais sobre as redes sociais se foca nas ferramentas (Twitter, Facebook, MySpace) e seus gigantes números e deixa de lado as relações das pessoas ATRAVÉS da tecnologia: redes sociais não são nada além do que redes de pessoas – online ou offline. E é nesse contexto que se insere a troca de conhecimentos e experiências que a Escola de Redes possibilita a seus membros.

Um prato cheio para quem gosta de ler sobre o assunto, vale a pena conferir o gigante acervo da Biblioteca E=R, disponível para download: são quase 700 obras de domínio público ou publicadas sob licença Creative Commons. A Biblioteca conta com a própria rede de membros da E=R para traduzir os textos, produzir resenhas e organizá-los em categorias. Contando com essa colaboração, já existem “bibliotecas básicas” para alguns autores fundamentais, como Pierre Lévy, Edgar Morin, Albert Barabási e Duncan Watts; além de seleções temáticas, como a Biblioteca Básica de Democracia. A plataforma da E=R ainda oferece suporte para blogs, fóruns e bate-papos, além de nodos (comunidades) e de um rico acervo de 300 vídeos relacionados.

Há alguns dias escrevi um post a partir das leituras sobre a obra da Raquel Recuero e sua abordagem sobre as redes sociais que se originam dos blogs, tanto na forma de comentários quanto nas indicações de links, e sua relação com laços fortes e laços fracos (Leia aqui Blogs como redes sociais) .

pessoas em redeHoje, reproduzo um post do blog da Suzana Gutierrez, cuja ligação com estes escritos já é fruto de uma conexão social nos moldes daquelas descritas por Recuero e pela própria Suzana. Explicando: tomei contato com as pesquisas e escritos dela a partir das leituras do Social Media, blog da Raquel Recuero.

Ao mesmo tempo, já incluí o blog gutierrez/su nas minhas recomendações e me comprometo a atualizar esta lista, fazendo justiça a todos aqueles que leio/consulto/recomendo.

links como relações sociais

Um link é uma passagem para uma outra dimensão do texto, do contexto, da opinião, da relação. Pode ser uma mão estendida e pode ser um dedo acusador. Pode ser uma referência, também, uma lembrança de caminhos onde a relação permanece como possibilidade.

Na minha pesquisa os links são importantes e reveladores, pois marcam, descrevem sem fixar o fluxo das relações. As ligações das listas de links (blogroll) apresentadas nos blogues são recomendações e marcas de identidade. Eu gosto, eu leio, eu recomendo, eu estou ligado(a) à… Acompanhados do feed, avalizam e reforçam a recomendação: eu leio e publico, assino embaixo.

Os links no meio do texto propõem diálogo, concordam, discordam, indicam, esclarecem, ampliam o alcance do texto (hipertexto). Abrem a possibilidade para novos sujeitos no diálogo. Pelos motores de busca e pelos trackbacks e outros suportes de retorno, praticamente arrastam leitores e outros textos para o texto. São parte da formação da rede, uma parte que dá contornos a rede, um aparente formato, que, analisado em profundidade, revela muito sobre a rede.

Links indiretos por meio de trackbacks (ligação de retorno e referência), de acessos via buscadores, de comentários são outras possibilidades de ligação. Os comentários, além de trazerem liks, são, eles mesmos, links gerados pelo leitor que intervém no texto concordando, discordando, esclarecendo, propondo, também.

Analisar as relações sociais entre pessoas, por meio dos seus blogues e considerando o fluxo das ligações, mostra, por exemplo, que a rede formada pela ‘lista de links’ não repete a rede de conversação pelos links de texto ou pelos comentários. Neste sentido, os diversos momentos destas redes podem auxiliar a compreender a dinâmica destas relações e as suas possibilidades para os sujeitos envolvidos. Podem, também, alavancar estudos\propostas que visem facilitar, otimizar, promover a formação de algumas redes.

((apenas pensando alto, sem esquecer que todos estes suportes tecnologicos são históricos e configurados pelo contexto de sua época))

Pesquisa Nielsen sobre o uso de redes sociais - Brasil 7º lugarA pesquisa Nielsen publicada pela The Economist em 29 de janeiro nos mostra o impacto das ferramentas sociais na vida cotidiana.

O Facebook, por exemplo, que foi lançado em 2004, hoje possui mais de 350 milhões de usuários, mais de dois terços deles fora da América.

Os mais expressivos na rede são os australianos, que passam mais de sete horas por mês blogando, tuitando e fazendo outras coisas 2.0. Os brasileiros, por sua vez, estão em 7º lugar no ranking, com cerca de quatro horas e meia por mês, por pessoa.

A partir desta pesquisa, podemos traçar uma ligação com os recentes dados que mostram o Brasil como campeão no bloqueio às redes sociais por parte das empresas (Falamos disso aqui). Assim, inferimos que o as restrições por parte das empresas não impedem o acesso intenso por parte dos brasileiros. Isso porque a Europa e a Ásia, onde apenas 11% das empresas restringem o acesso a estes sites tem alguns de seus representantes (Alemanha, França e Japão) com número de horas/usuários inferior ao do Brasil.

Com informações da The Economist, do Update or die, da HSM e Folha Online.

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